Encontrei no quintal dezenas de pequenas bolas amarelo-alaranjadas, de forma estranha e irregular; fiquei em choque quando percebi o que eram.

Saí para o quintal para apanhar um pouco de ar fresco e regar as plantas. Tudo estava tão calmo — o som dos pássaros, o cheiro da terra húmida, os primeiros raios de sol 🌞. Mas quando me aproximei da velha árvore no canto do quintal, congelei no lugar. Pendiam dos seus ramos dezenas de esferas amareladas-alaranjadas, irregulares e de formas estranhas. Pareciam pequenas laranjas, mas algo nelas estava errado. 😨

Ao início pensei que talvez algumas crianças tivessem brincado e deixado algo ali. Depois imaginei que fosse um ninho de insetos ou alguma doença. Mas quando toquei numa delas, era macia, ligeiramente húmida, e o ar encheu-se de um cheiro doce mas podre 🤢.

Um arrepio percorreu-me a espinha. Por mais que tentasse, não encontrava uma explicação lógica. Peguei no telefone e comecei a procurar freneticamente na internet. Minutos depois, estava ali sentado, imóvel, de olhos abertos. Tinha encontrado dezenas de esferas alaranjadas no quintal — e fiquei em choque quando percebi o que eram. 🫣🫣

Quando penso naquela manhã, ainda hoje sinto arrepios 😨. Tudo começou de forma tão pacífica — o canto suave dos pássaros, uma névoa leve sobre o jardim, a relva húmida sob os pés. Saí para regar as plantas, sem saber que aquele dia mudaria não só a minha visão do jardim, mas também de mim próprio.

Parei junto à velha árvore 🌳. Sempre fora a minha favorita — testemunha silenciosa das brincadeiras da infância, das longas conversas com a minha mãe e das fotos de primavera cheias de luz. Mas naquele dia, parecia… diferente. Dos seus ramos pendiam dezenas de bolas alaranjadas. Pareciam vivas, como se respirassem.

No início, ri-me 😅 — talvez os filhos do vizinho tivessem colado brinquedos nos ramos? Mas ao olhar mais de perto, percebi que estavam fundidas na casca. Uma delas até tremia ligeiramente com a brisa. A curiosidade venceu-me e toquei. A superfície era macia, ligeiramente húmida, e quando pressionei com cuidado, libertou-se um cheiro doce e pútrido.

Afastei a mão de imediato 🤢. O odor era tão repugnante que me fez engasgar. Mas algo em mim — talvez aquela curiosidade que sempre me meteu em sarilhos — fez-me ficar. Tirei algumas fotos e corri para dentro, até ao portátil.

As primeiras pesquisas nada mostraram. Depois, ao descrever melhor a textura e a cor, uma palavra apareceu no ecrã — Cyttaria 🍊. Cliquei na imagem e congelei. As mesmas esferas alaranjadas, presas a árvores — mas encontradas na América do Sul. Como podia aquilo estar no meu quintal?

Continuei a ler, com o coração apertado 😰. Eram fungos parasitas que infetam árvores da família Nothofagus. Crescem dentro da madeira, forçando a árvore a criar deformações, de onde os corpos de frutificação alaranjados acabam por rebentar. Lentamente, o fungo suga a vida da árvore.

O pânico tomou conta de mim. Aquela árvore era como parte da minha família. Liguei ao meu amigo Victor — um botânico que, acreditava eu, sabia tudo sobre plantas. Ele prometeu vir nessa noite.

Antes de ele chegar, andei em volta da árvore 🌬️. Às vezes parecia que as esferas pulsavam, brilhando suavemente sob a luz filtrada. A árvore parecia respirar de forma irregular, como se sofresse.

Quando o Victor chegou, eu tremia. Ele examinou os ramos, suspirou e disse baixinho:
— Sim, é Cyttaria. Se não cortares as partes infetadas, a árvore não vai sobreviver.

Trabalhámos em silêncio 💔. Cada ramo cortado parecia uma ferida. Num dos cortes, reparei que o fungo já tinha penetrado fundo. O Victor franziu o sobrolho.
— Talvez ainda vamos a tempo, — murmurou. — Mas não tenho a certeza.

Depois de ele sair, fiquei junto às raízes até o sol se pôr. A luz tornou tudo alaranjado — o mesmo tom das esferas. Passei os dedos pela casca. Estava quente. Demasiado quente.

Nessa noite, não consegui dormir 🌙. Sons estranhos vinham do jardim — arranhões, sussurros, como se algo se movesse entre as folhas. Disse a mim mesmo que era o vento. Mas na manhã seguinte, congelei: no chão estavam novas bolas laranjas. Tinham caído e rolado até às raízes.

E vi outra coisa. Finos fios amarelados espalhavam-se pelo solo, rastejando em direção à horta 🍅.

Ajoelhei-me — os fios moviam-se. Lentamente, como vermes, estendiam-se pela terra, ligando-se a outras plantas. O coração acelerou. Peguei numa pá e tentei cavar, mas o solo estava denso. Debaixo da superfície havia uma massa fibrosa e pegajosa — como uma teia viva.

Quando a pá a rasgou, o mesmo cheiro nauseante encheu o ar. Da ferida escorria um líquido âmbar espesso. Dentro dele… algo se mexia 🪱.

Corri para dentro de casa e bati a porta. Tentei ligar ao Victor, mas o número estava indisponível.

Passaram-se três dias. Não saí de casa. Quando finalmente olhei, a árvore estava nua — negra, sem vida. E ainda assim, o jardim ao redor florescia 🌼. Viçoso, brilhante, demasiado vivo.

Só havia um problema: cada flor brilhava com pequenos pontos laranja.

Aproximei-me — e senti o mesmo cheiro.

Desde esse dia, deixei de regar as plantas. Já não precisam de mim. Crescem sozinhas — rápidas, selvagens. E às vezes, tarde da noite, ouço um leve roçar na janela, um sussurro que diz:
— Não tenhas medo… é só Cyttaria. Agora somos um 🌕.

Gostou do artigo? Partilhe com amigos: