Não estava a respirar… Ou estava? 😳
Ainda me lembro do momento exacto em que o vi sobre o balcão da cozinha. Pequeno. Brilhante. 👀
Ninguém mais parecia alarmado. Isso só tornou tudo mais estranho. Como é que não viam? A superfície lisa, o brilho estranho sob a luz, a forma como parecia mover-se quando me aproximei.
Não me atrevi a tocá-lo com as mãos. Em vez disso, peguei numa colher e empurrei-o suavemente. 😨
Estava a segundos de pedir ajuda quando a minha mãe entrou. Olhou para mim, depois para o balcão, e começou a rir. A rir. Fiquei totalmente confusa enquanto ela explicava calmamente o que realmente era. A explicação fazia sentido… logicamente. Mas emocionalmente? Ainda estava em choque. Como podia algo tão estranho ser completamente inofensivo? 🤯
Mesmo depois de descobrir a verdade, não conseguia deixar de olhar para ele. A minha imaginação já o tinha transformado em algo misterioso, quase perigoso. E quando finalmente me atrevi a olhar mais de perto, percebi que não se tratava apenas de uma “criatura verde” no balcão. Tratava-se de como o medo pode facilmente dominar-nos quando não compreendemos o que estamos a ver.
Mas o que realmente era — e porque apareceu na nossa cozinha — tornou a história ainda mais inesperada… 😳😳

A primeira vez que o vi, pensei que estivesse a respirar. 😳
Estava sobre o prato de porcelana branco — pequeno, brilhante, verde e de forma estranha, como pequenas lágrimas congeladas no ar. A tia Mariam acabara de chegar do estrangeiro, a mala ainda perto da porta, e anunciou que nos tinha trazido “algo especial”. Aproximei-me. A superfície cintilava sob a luz, lisa e quase viva.
“Chamam-se mochi”, disse casualmente, como se isso explicasse tudo. 🍡
Mas para mim, isso não explicava nada.
Nunca tinha ouvido essa palavra antes. Os outros pareciam curiosos de forma educada, mas eu estava desconfiada. Um tinha uma pequena ponta no topo, como um nariz. Outro parecia ligeiramente achatado, como se tivesse mudado de posição. Juro — por um segundo — que pensei que um deles tinha tremido.
Não toquei nele. 😶
Apenas observei.
A tia Mariam colocou o prato no centro da mesa e sorriu misteriosamente. “São dos nossos familiares no Japão”, acrescentou. “Muito tradicionais.”
Japão. Isso só tornava tudo mais estranho. Tinha visto documentários sobre comidas invulgares, snacks de algas e sobremesas que balançavam como águas-vivas. E se fosse uma dessas coisas? E se não fosse suposto parecer imóvel?
Enquanto todos conversavam, deslizei discretamente até à cozinha. 🕵️♀️
O recipiente de plástico em que tinha vindo ainda estava sobre o balcão. Abri-o cuidadosamente, meio esperando que algo saltasse. Dentro, havia mais algumas dessas formas verdes, acomodadas em pequenas forminhas de papel branco. Uma estava ligeiramente rachada, revelando um recheio escuro lá dentro.
Parecia um olho.

Afastei-me tão rapidamente que bati no armário. O coração disparou. E se fosse algum tipo de criatura viva, preservada? Por que brilhava assim? Por que parecia tão… alerta?
Estendi a mão novamente, desta vez com a ponta da colher. Empurrei uma delicadamente.
Saltou.
Deixei cair a colher. 😨
Definitivamente, mexeu-se.
Nesse exacto momento, a mãe entrou. “O que estás a fazer?” perguntou, levantando uma sobrancelha.
“Mãe,” sussurrei urgentemente, “acho que está vivo.”
Ela piscou uma vez. Depois outra vez. E então começou a rir. Não educadamente. Não baixinho. Totalmente.
“Não está vivo”, disse, enxugando as lágrimas dos olhos. “É mochi.”
“Isso não explica nada”, insisti. “Mexeu-se!”
“Está suposto mexer”, respondeu, pegando numa e apertando-a ligeiramente. “É feito de farinha de arroz glutinoso. É macio e elástico. Por isso sente-se assim.”
Farinha de arroz glutinoso. As palavras soaram suficientemente científicas para me acalmar um pouco. 🧠
“Mas o que tem dentro?” perguntei cautelosamente.
“Recheio doce”, disse ela. “Às vezes pasta de feijão vermelho, às vezes chocolate. A tia Mariam disse que estes são mochis de matcha com chocolate dentro.”
Matcha. Chocolate. Doce. Nada disso parecia perigoso.

Ainda assim, não estava convencida.
Voltámos à mesa, e todos já estavam a provar. O meu primo Arman fez uma expressão dramática, mastigando devagar como se estivesse a analisar um tesouro raro. “É estranho”, declarou. “Mas bom.”
Estranho mas bom? Isso não me tranquilizou muito.
A tia Mariam entregou-me um pessoalmente. “Tens de provar”, disse calorosamente. “É um presente dos nossos familiares. Eles fazem em casa para ocasiões especiais.”
Olhei para ele na palma da mão. Estava fresco e macio, ligeiramente polvilhado sob o brilho. Não lutou. Não tremeu.
Talvez tivesse imaginado. 😅
Dei uma pequena dentada.
A camada exterior resistiu por um instante, depois cedeu como massa macia. Por dentro, o recheio de chocolate espalhou-se suavemente na minha língua — rico, ligeiramente amargo, perfeitamente equilibrado com o subtil sabor terroso do matcha.
Não estava vivo.
Estava… delicioso.
Tomei outra dentada, desta vez sem medo. A textura que me tinha assustado momentos antes agora parecia fascinante — elástica, divertida, diferente de qualquer sobremesa que já tivesse comido. Podia entender porque alguém a poderia achar estranha, mas havia também algo reconfortante.
Olhei à volta da mesa. Todos sorriam, partilhando impressões, fazendo perguntas à tia Mariam sobre o Japão e a sua viagem. 🌏
O mochi tinha-se tornado o centro da noite — não por ser exótico ou assustador, mas por ser diferente.
Mais tarde naquela noite, quando os convidados saíram e a casa estava silenciosa, voltei à cozinha para pegar na última peça. 🌙
Só restava uma.
Peguei nela cuidadosamente e segurei-a à altura dos olhos.
“Não estás vivo”, sussurrei brincando. “Não é?”
Por um segundo, na luz ténue da cozinha, pareceu brilhar novamente. Pressionei-a suavemente entre os dedos. Saltou de volta, teimosa e macia.
E foi então que percebi algo inesperado.
Não era porque eu achava que estava viva.
Era que nunca tinha visto comida comportar-se de forma diferente.

A crescer com sobremesas como bolos, biscoitos, barras de chocolate — previsíveis, firmes, familiares. O mochi desafiava isso. Esticava-se. Resistia. Surpreendia. E, em vez de o rejeitar, fui curiosa o suficiente para investigar.
Talvez esse fosse o verdadeiro presente que a tia Mariam nos trouxe — não apenas doces do Japão, mas um lembrete de que o desconhecido não significa perigoso. 🍃
Dei a última dentada e sorri.
Na semana seguinte na escola, quando alguém mencionou experimentar novos alimentos, contei a história toda dramaticamente — como pensei que estava viva, como a cutuquei com uma colher, como a mãe riu de mim. Os meus colegas ouviram de olhos arregalados.
“Foi assustador?” perguntou um deles.
“No início”, admiti. “Mas às vezes, as coisas mais assustadoras são apenas coisas que não compreendemos.”
Naquela noite, a tia Mariam ligou para saber se gostámos do mochi. 📞
Disse-lhe a verdade — que quase causou uma investigação na cozinha.
Ela riu e depois disse algo que ficou comigo.
“Quando o experimentei pela primeira vez no Japão”, confessou, “pensei o mesmo.”
E, de repente, a história parecia ainda maior. Não se tratava só da minha dramatização. Tratava-se de entrar no mundo de outra pessoa — uma dentada de cada vez.
Agora, sempre que vejo mochi de matcha numa montra, sorrio em vez de hesitar. Lembro-me do salto, do brilho, do batimento cardíaco imaginário. E lembro-me daquele momento na cozinha em que o medo se transformou em curiosidade.
Porque essa pequena sobremesa verde não se moveu apenas na colher.
Moveu também algo dentro de mim. 💚